Meu primeiro blog era um fã clube da Avril Lavigne. Juro. Se chamava Avril World BR e eu administrava com toda a seriedade que uma menina apaixonada por seu ídolo consegue ter. Ficava pesquisando notícias, atualizando diariamente, traduzindo entrevistas, postando fotos. Não tinha ninguém me mandando fazer isso. Não tinha estratégia. Não tinha métrica. Tinha só aquela energia de quem encontrou um lugar onde podia falar sobre o que amava e encontrar outras pessoas que amavam a mesma coisa.
Depois veio o Teen World, conteúdo de vários nichos, mas sempre voltados para o público adolescente e feminino. Porque eu sempre fui assim: muitos assuntos, muita curiosidade, nenhuma paciência pra ficar em uma caixinha só.
Depois criei o meu xodó: Garotas Dizem. Onde eu me sentia em casa falando sobre tudo. Eram muitos leitores e eles deixavam comentários enormes, daqueles que viravam conversa de verdade. Chegou a ter mais de 120 mil visitas por dia. Empresas me procurando. E quando o instagram apareceu, o cenário mudou completamente, e foi exatamente aí que eu comecei a me perder.
Em 2013, com 20 anos, escrevi um texto chamado “Volta, Blogsfera.” Era um desabafo. Eu dizia que não queria seis mil visitas se as pessoas passavam sem deixar opinião. Que não queria escolher assunto por planilha. Que meu blog era sobre tudo e eu não tinha intenção de mudar isso. Que queria meu refúgio de volta.
Esse texto tinha mais clareza do que muita estratégia que aprendi depois.

Treze anos depois, sou mãe de três meninos: Murilo e Mateus (7 anos) e Miguel (1 ano). Trabalho com marketing e design faz mais de dez anos. Já passei por agência, por cliente, por criadora de conteúdo, por todos os lados dessa mesa. Já vi o que funciona e o que só parece funcionar mas não sustenta.
E cheguei na mesma conclusão da menina que administrava fã clube de Avril Lavigne aos 14 anos: Blog é o único lugar na internet que ainda é meu.
Mas Lorenna, blog em 2026?
Sim. Com mais convicção do que nunca. Afinal, enquanto o Instagram decide quem vê o que você posta, enquanto o TikTok recompensa quem dança na trend do momento, enquanto o algoritmo de cada rede muda toda semana e derruba o que você construiu com meses de trabalho, o blog fica.
Um post de 2013 ainda existe. Ainda aparece no Google. Ainda é lido por quem chega pesquisando algo de verdade. Um post escrito com intenção não desaparece numa atualização de feed. Isso não é nostalgia. É consciência.

Tem um movimento acontecendo silenciosamente agora. Pessoas exaustas de performar pra algoritmo. Pessoas que querem ler de novo, com calma, sem o dedo coçando pra deslizar para o próximo conteúdo rápido. Pessoas procurando aquela sensação de acompanhar alguém de verdade, não um personagem construído pra viralizar.
A blogsfera que eu amava não tinha cara de produto. Tinha cara de diário que alguém esqueceu aberto na mesa. Você lia e pensava: nossa, eu também sinto isso. Comentava. A pessoa respondia. Virava conversa. Virava comunidade. Sem grupo pago, sem convite exclusivo, sem estratégia de retenção.
Esse jeito de se conectar não morreu. Ele só foi empurrado pro canto enquanto a gente ficava obcecada com alcance.
Por que eu criei o Papel da Lola
Eu já sei o que não quero. Não quero nicho forçado. Não quero escolher entre falar de design ou de maternidade, entre recomendar um jogo ou escrever sobre skincare. Nunca fui uma coisa só e não vou fingir que sou agora. Em alguns dias esse blog vai ser uma resenha de produto. Em outros, um tutorial de Canva. Em outros, uma lista de séries ou um texto sobre criar filhos pequenos enquanto tenta construir algo seu.
Já sei o que quero. Quero que quando você chegar aqui, sinta que chegou na casa de uma amiga com bom gosto, opiniões próprias e sem medo de contar o que realmente pensa. Sem a performance de quem está sempre bem. Sem o filtro de quem calcula cada palavra antes de postar.
A menina que criava fã clube ainda está aqui. Só cresceu um pouco, teve três filhos, aprendeu mais sobre design, sobre marketing, sobre gente. E voltou.

E se você também pensa em criar um blog, faz. Agora. Sem esperar ter nicho definido. Sem esperar ter câmera boa. Sem esperar ter algo suficientemente importante pra dizer. Se você voltasse a ser a você de 10 anos atrás, não esperaria. Apenas começaria.
Ninguém precisa de você perfeita. As pessoas precisam de você real. E se precisar de ajuda pra começar, também vou escrever sobre isso aqui. Toda semana, sem falta.
Bem-vinda de volta à blogsfera. 💕



